Cronologia
1895 - Nasceu a 3 de agosto, em Itapetininga,
Filho de Gabriel Gonçalves Gomide e Cherubina Pinheiro Prado Gomide, era o terceiro de um total de sete filhos. Eram seus irmãos: Cândido Gonçalves Gomide, Maria Amélia Prado Gomide, Regina Gomide Graz, Sérgio Gonçalves Gomide, Beatriz Gomide Witecy e Margarida Prado Gomide. Passou a infância e fez seus primeiros estudos escolares na cidade em que nasceu.
1910 - A família toda mudou-se para São Paulo.
1912 - Concluiu o curso de Professor, diplomando-se pela Escola Normal de São Paulo.
1913 - Juntamente com a família transferiu-se para Genebra, Suíça, passando a residir à Rue Saint Victor, 6, a 23 de outubro.
1914 - Frequentou a Escola de Comércio de Genebra, onde conheceu Sérgio Milliet, tornando-se seu amigo.
1914/ 1918 - Frequentou também, assim como suas irmãs Regina e Maria Amélia, a Escola de Belas-Artes de Genebra, onde teve como mestres o Professor Gillard e Ferdinand Hodler.
Nessa escola conheceu John Graz, que mais tarde se casaria com sua irmã Regina. Por esta época conheceu ainda o cineasta Alberto Cavalcanti e o bibliotecário Rubem Borba de Morais. Este ultimo se tornaria seu amigo só aqui no Brasil.
1917 - Morria seu pai (18 de dezembro) e era sepultado em Genebra mesmo. A família passou à Rue Chemin des Roches, 2.
1918 - Nova mudança de endereço, nesta ocasião para a Rue des Eaux Vives, 118. As dificuldades financeiras começavam a aparecer.
Em abril desse ano, Antonio e Sérgio partiam de Genebra. Viajaram por Espanha e Portugal.
Em agosto, Gomide encontrava-se em São Paulo, hóspede de parentes à Alameda Barão de Limeira, 112.
As primeiras obras de que temos conhecimento datam aproximadamente deste ano e de sua passagem pela península Ibérica:
Figura, Cena com Dançarina, Sanfoneiro e Dançarina Espanhola.
1919 - A família retornava a São Paulo. .Em agosto estavam residindo à Rua Frei Caneca, 24A. Com saudades da noiva Madeleine Faure, que ha via ficado em Genebra, pensava em retornar à Suíça.
1920 - Em maio, Gomide encontrava-se viajando de volta à Europa, passando por Tenerife e Lyon. Em julho já estava em Genebra.
Conheceu Maryon, a amiga e companheira que o acompanharia a Paris e, mais tarde, ao Brasil. Viajou através da Europa.
1921 - Em julho, instalou-se em Paris. A princípio em um pequeno hotel à Rue Saint ]acques.
Procurava um ateliê.
1922 - Voltou a Genebra para se curar de tuberculose pulmonar.
Participou de exposições coletivas no Museu Rath e no Athénée. Recebeu o prêmio de Menção Honrosa.
De agosto a meados de 1923, passou a viver em Toulouse, no Languedoc francês. Aprendeu a técnica do afresco com Marcel Lenoir e colaborou na execução de murais, nessa técnica, para o Institut Catholique e os conventos locais.
1923 - Deixou Toulouse e viajou através da Europa. Em setembro encontrava-se em La Pointe du Raz, outro extremo da França.
São deste ano as obras: Ponte Saint Michel, Paisa gem com Barcos, Oração na Igreja, e Cristo.
1924 - Estava de volta a Paris, com ateliê à Rue Vercingétorix, 52, em Montparnasse. Era seu vizinho de ateliê Victor Brecheret, de quem se tornou bom amigo. Frequentou os ateliês dos artistas ligados ao cubismo ou às correntes artísticas em evidência: Picasso, Braque, Lhote, Picabia, Severini.
Participou do "Salon des Indépendants" e do "Salon dAutomne", de acordo com entrevistas a jomais de São Paulo.
Nessa época desenhava composições para estamparia de tecidos para as casas La Maitrise, Tissus Rodier.
1926 - Viajou ao Brasil para verificar o ambiente artístico e preparar o retomo.
1927 - A 15 de janeiro, fez uma de suas poucas exposições individuais: Exposição Antonio Gomide - Afrescos e Pinturas, em antiga galeria da Avenida São João, 187. Expôs 76 obras, entre as quais:
Descida da Cruz e Cabeças (afrescos), Ceia e A Carta (óleos), Cavalinho de Pau e Adoração (aquarelas). Em junho/ julho, participou também de uma exposição coletiva na Galeria Blanchon, em São Paulo, na qual expôs 6 óleos. Em setembro/ outubro, decorou o "fumoir" do Sr. Couto de Barros, executando um afresco cuja temática eram os índios.
1928 - Colaborou com uma ilustração para a Revista de Antropofagia, no 4, agosto.
Pinta suas primeiras telas de influência naturista: Irmãs Índias e Caçadores. Em meados do ano partia novamente para Paris.
1929 - Retornou definitivamente ao Brasil, em meados do ano. Trouxe consigo Maryon.
Instalou-se em ateliê à Alameda Nothmann, nos Campos Elíseos.
As Santas Ceias e composições com temas religiosos são seus assuntos preferidos.
1929/ 1931 - Seu trabalho é intenso, inclusive executando obras para decoração de interiores, como cerâmicas e abajures,
1929/ 1945 - Projetou e executou vitrais para decoração de igreja para afirma de Conrado Sorgenicht Filho.
1930 - Em março, participou da exposição "Uma Casa Modernista, na Rua Itápolis, 119, São Paulo (dois afrescos), juntamente com Segall,
Tarsila do Amaral, Regina Graz, Brecheret e outros.
Apresentou-se com diversos artistas brasileiros na mostra coletiva "Exposição de Arte Brasileira", organizada pela Sociedade Brasileira de Amigos do Roerich Museum, para o International Art Center deste museu, em Nova York, com as obras: Irmãs Índias, Caçadores e Índios.
Residia e trabalhava na Avenida São João, esquina com a Avenida Duque de Caxias.
Pinta seu Auto-Retrato e o Retrato de Vera Azevedo.
1931 - Em setembro, participou da "XXXVIII Exposição Geral de Belas-Artes", da Escola Nacional de Belas-Artes, Rio de Janeiro, com as obras Menina e Composição, da coleção da Sra. Olívia Guedes Penteado.
Maryon e Gomide se separariam e ela retornaria à Europa.
1932 - Gomide tomou parte na Revolução Constitucionalista; ferido acidentalmente, retornou a São Paulo. Executa aquarelas e gravuras com temas de soldados.
O "Art Deco" está presente em obras desta época.
Decora residências no Jardim América, São Paulo.
A 23 de novembro, participou da primeira reunião para a fundação da Sociedade Pró-Arte Modema (SPAM).
A 24 de novembro foi um dos fundadores do Clube dos Artistas Modernos (CAM), à Rua Pedro Lessa, 2, baixos do Viaduto Santa Efigênia.
Pintou os painéis decorativos para a festa de inauguração da sede social. Instalou seu ateliê numa das salas do CAM, onde trabalhou coletivamente e onde ensinou desenho e pintura.
1933 - A 28 de abril, participou da "I Exposição de Arte Moderna da SPAM", montada na antiga Galeria Guatapará, à Rua Barão de Itapetininga.
1934/ 1937 - Viajava constantemente para o interior do Estado em companhia de Paulo Duarte, que fazia o levantamento das igrejas do século XVII para o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
1934/ 1940 - Faz parte do "Grupo 7", juntamente com Brecheret, Elizabeth Nobiling, Yolanda Mohalyi, Rino Levi, John Graz e Regina Gomide Graz.
1935/ 1936 - Montou seu ateliê onde residia, à Rua Barão de Campinas.
1937 - Participou do 1o Salão de Maio, exposição montada no "grillroom" do Esplanada Hotel, São Paulo, inaugurada a 25 de maio, com as obras Canoa e Figuras (óleos), Cabecinha e Figura (afrescos).
1937/ 1939 - Seu ateliê funcionava à Av. São João, quase esquina com a Rua Líbero Badaró, altos do Bar Automático.
1938 - Tomou parte no "2o Salão de Maio", exposição montada também no "grillroom" do Esplanada Hotel, São Paulo, inaugurada em junho, com as obras Retrato de Mulata e Maternidade (óleos), Sedução, Mandinga e Gato Morto (aquarelas), Anunciação e Calvário (afrescos). Executa obras cujos temas são as prostitutas das ruas Itaboca e Aimorés.
1939 - Fez parte do Comitê de Aceitação de Obras para o "3o Salão de Maio", juntamente com Lasar Segall, Flávio de Carvalho, Jacob Ruchti e Victor Brecheret.
Participou do "3o Salão de Maio", neste ano montado na Galeria Itá, inaugurado no segundo semestre, com as obras Procissão, Cavalinho de Pau, Bolinhas e Namoro (aquarelas), Jesus entre os Doutores (afresco), Estudo de Nu (têmpera).
Participou da exposição do "V Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo", com as obras Batuque (óleo) e Feira (aquarela).
Nova mudança de ateliê, desta vez para a Rua Bela Cintra.
Desenhava intensamente para a firma de Conrado Sorgenicht Filho.
1939/ 1942 - Executou decorações para os bailes de carnaval do Hotel Terminus, à Rua Brigadeiro Tobias.
1941 - Em janeiro, participou do "VI Salão de Pintura e Escultura, do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo", com as obras Trabalho, Nu e Retrato (óleos). Apresentou-se também no "I Salão de Arte da Feira Nacional de Industrias",
no Parque da Industria Animal Fernando Costa, na Agua Branca, com as obras Bachante e Cavalo (afrescos).
1941/ 1942 - Montou ateliê e escola à Avenida Angélica, no 306 ou 309, quase esquina com a Praça Marechal Deodoro. Executou o baixo-relevo do Instituto Biológico. Expôs individualmente no Hotel Terminus.
1943/ 1949 - Mais uma mudança de endereço, agora novamente volta para a Av. São João, altos do Bar Automático, onde também possuíam ateliês os artistas Odetto Guersoni e Sílvio Alves.
1947 - John Graz e Gomide expõem em conjunto, em galeria da Rua Barão dc Itapetininga.
1950/ 1952 - Residia à Rua Paim e tinha ateliê à Rua Bela Cintra, 488.
1951 - Inscreveu-se e foi aceito para a "I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo", outubro/ dezembro, com as obras A Tasca e Na Praia, 1950, e Composição, 1951 (óleos). Fez parte do Clube dos Artistas (Clubinho), à Rua Major Sertório.
1952 - Casou-se com sua aluna Beatriz de Paula Cunha, com quem conviveu pouco tempo, aproximadamente dois anos. Residia à Rua São Domingos, 415, ap. 3, e possuía ateliê à Rua Braz, Cubas, 360.
1952/ 1954 - Trabalhou na Companhia Vera Cruz, executando alguns cenários.
Foi professor de desenho na escolinha do Museu de Arte Moderna.
Os temas de danças populares (sambas e macumbas) são uma constante em suas obras desta década.
Participou da exposição coletiva "Painéis Juninos", Grupo ODA, Museu de Arte Moderna de São Paulo.
1954 - A vida e obra de Antonio Gomide foi focalizada por Alceu Maynard Araújo em filme intitulado "Antonio Gomide Pintor", realizado para a série "Veja Brasil", apresentado na TV Tupi, canal 4, a 2 de fevereiro.
1955 - Montou ateliê à Rua Francisco Glicério.
1956 - Transferiu-se novamente para a Rua Bela Cintra, onde permaneceu até mudar-se para Ubatuba.
1959 - Em setembro, organizou exposição individual no seu próprio ateliê, à Rua Bela Cintra, 488.
1963 - Expôs individualmente na Galeria Selearte: "Exposição Antonio Gomide".
1964 - Nova exposição individual organizada a 9 de junho para a "Casa do Artista Plástico". Transferiu-se para Ubatuba, litoral norte paulista, onde pôde dedicar-se a um de seus esportes preferidos, a natação.
Dedicou-se à escultura.
1966 - Ficou totalmente cego. Aprendeu o método Braile de leitura.
Para homenageá-lo, amigos seus organizaram exposição individual na Associação Cristã de Moços, entre 21 e 28 de setembro.
1967 - Em abril, participou da mostra coletiva "Gomide, Osir e Visconti", na Art Galeria.
Morreu em São Paulo, a 31 de agosto, aos 72 anos de idade.
Quase ao final da vida, Antonio Gomide passou a ser mais reconhecido e divulgado. Relacionamos em seguida as mostras individuais ou coletivas organizadas após sua morte.
1968 - Exposição "Antonio Gomide", retrospectiva organizada pelo Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, junho/ agosto.
1969 - Exposição "Antonio Gomide - Aquarelas e Desenhos", A Galeria, Rua Bela Cintra, 741.
1972 - Exposição "A Semana de 22 - Antecedentes e Consequências", Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, maio/junho.
1973 - Exposição "Antonio Gomide - Aquarelas", A Ponte Galeria de Arte, 19 de novembro a 10 de dezembro.
1974 - Exposição "Tempo dos Modernistas - Ciclo: A Forma e o Espaço do Homem", Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, agosto/ setembro .
1975 - Exposição "O Modernismo - Pintura, Brasileira Contemporânea de 1917 a 1930", Museu Lasar Segall, maio/ junho.
Exposição "SP AM e CAM - Ciclo de Exposições da Pintura Brasileira Contemporânea", Museu Lasar Segall, novembro/dezembro.
1976 - Exposição "Os Salões - Ciclo de Exposições da Pintura Brasileira Contemporânea", Museu Lasar Segall, junho/julho.
Exposição" A Família Graz-Gomide - O "Art Deco no Brasil", Museu Lasar Segall, novembro/dezembro.
1977 - A obra O Porto é o "Destaque do Mês", na Pinacoteca do Estado de São Paulo, março.
Exposição "Colecionadores das Arcadas" (Homenagem aos 150 Anos da Fundação dos Cursos Jurídicos no Brasil), Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e Museu de Arte Moderna de São Paulo, agosto.
1979 - Exposição "Antonio Gomide - Aquarelas", Galeria Arte Aplicada, São Paulo, maio/junho. Exposição "Coleção Sr. e Sra. Luiz Carlos Moreira", Galeria Eugénie Villie, Escola Superior de Artes Santa Marcelina, São Paulo, junho.
1987 - Exposição "Gomide: Estratigrafia do Mural Santa Ceia", Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, agosto.
1989 - Exposição "Antonio Gomide: 60 Obras Inéditas", José Du arte Aguiar/Ricardo Camargo, agosto/setembro. |