Wuppertal, Alemanha, 1963
O PARAÍSO NA TERRA
Anke Eilergerhard, é aclamada internacionalmente por sua posição artística distinta no âmbito da escultura contemporânea. Há mais de três décadas, ela explora o tema do bolo como metáfora da beleza, do desejo, do tempo, do equilíbrio e do engano, criando uma obra singular e altamente reconhecível.
Desde 2004, ela tem se concentrado no redemoinho de chantilly, que transforma de uma técnica cortesã ocidental do século XVI de decoração de bolos em um símbolo artístico. Seu material de escolha é o poliorganosiloxano (silicone) altamente pigmentado, que ela aplica usando uma técnica de confeitaria para criar inúmeros redemoinhos de chantilly — um método que ela aperfeiçoou desde 2004.
As esculturas de Eilergerhard navegam habilmente pelo terreno entre a forma escultural concreta, a abstração e a figuração. Elas são marcadas por uma tensão estética única — simultaneamente suntuosa e contida —, um estilo que a própria artista descreve como “barroco purista”. Essas obras seduzem com sua aparente doçura e fragilidade, ao mesmo tempo em que revelam uma complexidade conceitual e formal que convida a uma reflexão mais profunda. Um exemplo notável de sua prática artística é o ciclo de obras “ANNAS” (2011–2023), no qual ela combina seus icônicos redemoinhos de creme de silicone com porcelana europeia fina.
Esculturas com nomes como “ANNALOTTA”, “ANNADONNA” e “ANNAKATHARINA” evocam imagens de decorações de bolo gigantescas, ao mesmo tempo em que abordam criticamente temas como feminilidade, excesso e estereótipos culturais. O uso de porcelana proveniente de fábricas históricas alemãs e tchecas confere às obras profundidade histórica e as conecta à rica tradição da porcelana europeia. Essas esculturas surrealistas, que abordam a feminilidade, a beleza e os clichês culturais, foram apresentadas em uma grande exposição individual intitulada “EILERGERHARD : DOLCISSIMA” em 2023 no Hetjens – Museu Alemão de Cerâmica, em Düsseldorf. Em 1994, concluiu seus estudos artísticos em design de comunicação na Bergische Universität Wuppertal, na Alemanha. Em 1999, mudou-se para Berlim, na Alemanha.
Em 2017, as espetaculares esculturas da artista alcançaram renome internacional; elas foram criadas por ela para a FENDI, para as lojas-âncoras globais da marca de luxo em Nova York, Paris, Milão, Berlim, Dubai, Hong Kong, Tóquio, Roma e Xangai. Suas obras fazem parte de inúmeras coleções de prestígio, incluindo a FENDI (Grupo LVMH) em Roma, Paris e Hong Kong, a Fidelity Investments em Londres e o Four Seasons Hotel em Abu Dhabi. As esculturas de Eilergerhard foram exibidas em museus, galerias e feiras de arte em todo o mundo — da Alemanha e Suíça ao Canadá, Turquia e Estados Unidos. A artista descreve a cobertura de chantilly como “a forma escultural perfeita” e “um pedaço do paraíso na Terra”. Ela atribui uma qualidade cósmica à forma, vendo nela um reflexo do anseio da humanidade pelo paraíso. Em uma sociedade obcecada pelo visual, observa Eilergerhard, o sentido da visão é particularmente suscetível ao engano – um tema que permeia toda a sua prática artística. Seu trabalho convida os espectadores a questionar as fronteiras entre arte e kitsch, tradição e inovação, superfície e profundidade. Com sua linguagem visual inconfundível e rigor conceitual, ela fez uma contribuição duradoura para o discurso da escultura contemporânea.
ZITAT:
“Minhas observações e experiências constituem a base de todo o meu trabalho. Meu objetivo é tornar visíveis coisas que não consigo expressar em palavras, mas que são universais.
Um bolo com chantilly é um pedaço do paraíso na terra. Para mim, o chantilly é a forma escultural perfeita. Tem algo de cósmico nele. Reflete o anseio pelo paraíso. Vivemos em uma sociedade extremamente obcecada pelo visual; nenhum sentido pode ser enganado tanto quanto a visão.”
Credito foto retrato: Nathan Carvalho

