Antônio Gomide

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Biografia


Itapetininga, Brasil, 1895 —
Ubatuba, Brasil, 1967

A importância da atuação de Antonio Gomide na primeira geração modernista passou a ser um capítulo da história da arte brasileira desde que Walter Zanini apontou para “o impossível omitido da história do nosso modernismo”.

Gomide nasceu no interior paulista e ainda jovem mudou-se com a família para a Suíça, onde frequentou a Academia de Belas Artes de Genebra até 1918. A partir da década de 1920, o artista passou a viver na França. Em 1922, em Toulouse, trabalhou no ateliê de Marcel Lenoir e posteriormente, entre 1924 e 1926, morou em Paris. As obras deste período são influenciadas pelo cubismo e pela art déco, caracterizando-se pela  esquematização das figuras a partir de formas circulares e ogivais e pelo predominante trabalho com a linha tanto na delimitação das imagens quanto na criação do movimento pictórico de verdadeiros vértices de atenção, notáveis nas obras Casal Abraçado (1922), Mulher e menina (1922) e A Samaritana (1925). Juntamente com a produção de vitrais e de elementos decorativos, as obras pictóricas produzidas por Gomide durante sua estadia na França são majoritariamente dedicadas a modelos vivos, cenas cotidianas, paisagens e motivos religiosos. Nesse contexto, a pintura Os caçadores (1928) se destaca como anúncio, no tema e na paleta de cores, do regresso do pintor à terra natal: reluzindo em meio ao verde intenso da mata fechada, o olhar de cada personagem conduz o observador para o alvo invisível das flechas.

Chegando ao Brasil apenas em 1929, portanto sem ter participado da Semana de Arte Moderna de 1922, Antonio Gomide foi bem recebido pelo círculo modernista e apoiou a fundação de espaços importantes como a Sociedade Paulista Pró-Arte Moderna e o Clube de Artistas Modernos, em 1932. Além disso, trabalhando em conjunto com o cunhado John Graz e a irmã Regina Gomide Graz, o artista tornou-se um dos principais introdutores do art déco no Brasil, tanto por meio de projetos residenciais como através de obras públicas, a exemplo do rico conjunto vitral que compõe o portal de entrada do Parque da Água Branca, em São Paulo, trabalho desenvolvido em parceria com a Casa Conrado e inaugurado em 1935.

A partir de 1940, Antônio Gomide realizou obras focadas no cenário nacional, em seu ambiente físico e em seus aspectos sociais e culturais. A partir de então a forma humana passa a surgir em figuras mais naturais, fluídas e ao mesmo tempo mais corpulentas, volumétricas e sensuais. Essa renovada vontade de volume e de espacialidade está presente também nos trabalhos escultóricos de Gomide, realizados após o artista perder a visão. Todavia, é especialmente na pintura das cenas de dança como nas obras Bailarinas (1946), Dança (1949), Roda de samba (1956) e Bailarina (1958) que o artista repensa o elemento corporal, construindo ambientes enérgicos, violentos, carnais e de uma sonoridade que apanha a seta do olhar e a faz girar e oscilar, rendida pelo ritmo do equilíbrio entre cor e linha.

G.G.S.