02_ Luca Benites B

Biografia


Brasília, Brazil, 1981

“O tempo tem sido protagonista da obra de Luca Benites (Brasília, 1981) desde o momento em que este decidiu dar um giro copernicano em sua trajetória artística em 2016, queimando toda a sua produção até o momento. Este feito supõe, em outras palavras, a queima de anos de trabalho e de horas de esforço, que se – como se pode ver no documentário homônimo que Benites realizou – reduziram a cinzas.

O artista converte estas cinzas em um ponto de partida de uma nova carreira, de maneira literal: os restos queimados da sua carreira anterior dividem matéria prima para a produção de novas peças até o momento atual. Na mostra de Pabellón 4, encontramos um breve, porém detalhado panorama dos que últimos quatro anos significaram para o futuro artístico de Luca Benites: a começar pela documentação gráfica da queima de obras, seguindo para  a primeira obra que dá a chave para a compreensão da intenção do artista, intitulada “Meu tempo em minhas mãos”. Não é outra coisa senão o que parece: as mãos do criador, em bronze, segurando em alto uma ampulheta com as cinzas de uma vida de trabalho em seu interior. Luca Benites parte deste ponto toma de maneira consciente e firme as rédeas de sua trajetória artística.

As cinzas, o vidro e o bronze são o fio condutor que conecta todas as obras, que tem, por sua vez, que ver com o fluxo do tempo: das gotas de bronze até as de vidro soprado, passando por suas pinturas feitas de cinzas. Luca Benites solidifica e transforma em físico o fluxo do tempo. O artista brasileiro coloca em prática seu próprio processo alquímico.

Alimentando as chamas com o trabalho de uma vida, transforma não só a matéria, se não o único que como seres humanos possuímos verdadeiramente, nosso tempo.

O pequeno panorama deste processo de transformação do artista brasileiro conclui-se em uma obra “Minha Moeda” em que vemos congelado o movimento de uma moeda lançada ao ar. Eventualmente, se trata da valorização de uma decisão pessoal transcendente: foi uma boa ideia atear fogo em toda uma carreira? De que lado cairá a moeda? De novo (e sempre), a resposta só poderá ser dada pelo tempo.”

Jordi Garrido, curador, “Después del fuego”, Barcelona, 2020