São Paulo, Brasil, 1928 —
São Paulo, Brasil, 2018

A solidez do trabalho de Alexandre Wollner qualifica institucional e profissionalmente o design brasileiro desde a segunda metade dos anos 1950, mantendo-se como referência sadia para uma área que questiona seu atual propósito em meio à profusão vertiginosa de mensagens repetitivas e anestesiantes, de sentidos propositalmente efêmeros, programados à obsolescência.

Aluno das primeiras turmas do Instituto de Arte Contemporânea (IAC), Wollner familiarizou-se desde jovem com o ideal de uma produção artística que contribuísse ativamente para a transformação da sociedade e da cultura através dos meios de produção industrial. Em 1951, ao auxiliar na montagem da exposição do artista suíço Max Bill no Museu de Arte de São Paulo (Masp), Wollner descobre um caminho possível para realizar essa utopia na rigorosa inventividade da arte concreta, o que o motiva a aderir ao Grupo Ruptura em 1953.

Explorando as possibilidades do concretismo, Alexandre Wollner expôs na 2ª Bienal Internacional de São Paulo (1953) e recebeu o Prêmio de Pintura Jovem Revelação pelo trabalho Movimento contra o movimento no sistema espacial. Concebida claramente em registro concretista, a tela produz a sensação óptica de um movimento centrípeto instável realizado por pontiagudos fios brancos, angulados numa relação tensa com os limites do quadrado preto que tenta contê-los precariamente. Nesse movimento dinâmico, o plano se curva em uma profundidade para frente e para trás do observador, abrindo novas dimensões espaciais sem recorrer ao ilusionismo figurativo.

Tal habilidade compositiva consolidou-se no trabalho de Wollner como designer gráfico, profissão a que se dedicou exclusivamente após frequentar, convidado pelo próprio Max Bill, a Escola Superior da Forma de Ulm, entre 1954 e 1958. Retornando ao Brasil, Wollner associa-se a Rubem de Freitas, Walter Macedo e Geraldo de Barros na abertura do forminform, pioneiro escritório de design onde desenvolveu projetos icônicos como a remodelação das marcas Elevadores Atlas e Sardinhas Coqueiro. Nota-se que suas soluções gráficas baseiam-se no primado do grid, do rigor estrutural e do projeto totalizante, expressos de modo exemplar no universo que o designer criou entre 1980 e 1990 para a identidade visual do Banco Itaú.

Wollner acreditava ainda que a tecnologia deveria ser utilizada como facilitadora do processo criativo, sem substituí-lo ou subjugá-lo, pois as percepções da qualidade da forma, da resolução enquanto projeto e da beleza enquanto comunicabilidade são fundamentalmente humanas. Talvez esse seja um dos motivos para que o designer tenha voltado a explorar a pintura a partir de 2008.

Seja nas telas ou nas mídias corriqueiras da vida prática, a força projetiva de Alexandre Wollner elabora sistemas em que a mensagem comunica-se certeira pela pregnância da forma. O resultado admirável deve-se ao esforço de Wollner em reunir a qualidade utópica da arte concretista à factibilidade seriada da produção industrial e tecnológica, condição para a concepção da obra como síntese entre arte e vida.

G.G.S.


Exposição “Linha Atemporal”

Exposição “Linha Atemporal”


Exposição “Linha Atemporal” na Dan Galeria com texto curatorial de Paula Braga.