Lígia_Clark,_1967

Biografia


Belo Horizonte, Brasil, 1920 —
Rio de Janeiro, Brasil, 1988

Integrante do grupo Neoconcreto, Lygia Clark rompeu a moldura do quadro no final da década de 1950. Nos Espaços Modulados e nas Unidades, de 1958, a borda que isolava a obra do mundo deixou de contornar a pintura e apresentou-se passeando pela superfície monocromática de placas de madeira. Nos Casulos, de 1959,  a obra projeta-se da parede para a terceira dimensão. Esse movimento de ruptura com a bidimensionalidade culmina nos Bichos, desenvolvidos entre 1960 e 1964, esculturas manipuláveis, feitas com placas de alumínio unidas por dobradiças. A escultura irá interagir com o participador para adquirir uma forma. Na série Trepantes (1964-65), esculturas maleáveis de metal ou borracha se enroscam em toras de madeira ou pedras e também convidam à participação.

A partir de 1966, Lygia Clark emprega materiais efêmeros e prosaicos como plásticos e pedras, que evitam mais veementemente a exposição de suas obras como objetos para contemplação. Na exposição “Nova Objetividade Brasileira”, de 1967, Lygia Clark apresenta  a obra interativa O eu e o tu/ Roupa-corpo-roupa, da série Nostalgia do Corpo (1966), atingindo o paroxismo da imanência do ato visto que, manipulando suas proposições, o participador sentia seu corpo despertar. A estratégia de alterar a percepção sensorial continua em proposições que usam sacos plásticos cheios de ar, máscaras com compartimentos cheios de ervas estimulantes do olfato, óculos que alteram a visão com espelhos ou luvas pesadas para estimular o tato. O resultado é o aguçamento dos sentidos ou um convite à introspecção.

As investigações de Lygia Clark voltam-se, a partir de 1966, cada vez mais para o mundo psíquico, e afunilam seu público. A partir de 1973, a artista passa a experimentar suas proposições com seu grupo de estudantes na Sorbonne, focando em vivências sensoriais e coletivas de grande impacto no descondicionamento dos comportamentos e nas relações intersubjetivas. De volta ao Rio em 1976, dedica seus “objetos relacionais” a uma pessoa de cada vez,  em uma terapia baseada no potencial que seus simples objetos, feitos com pedras e plásticos, teriam de recompor a relação do participador (agora paciente) com seu corpo, e assim tratar distúrbios psíquicos.


O que é uma galeria de arte? - Peter Cohn

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Peter Cohn, fundador da Dan, narra este vídeo com obras de Mira Schendel, Lygia Clark e Amilcar de Castro.


Mulheres à Frente

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Nunca é tarde para estender homenagem às mulheres. No último dia de março de 2020, a Dan Galeria apresenta a coletiva Mulheres à Frente, reunindo artistas brasileiras de extrema relevância e participação na nossa história da arte.