São Paulo, Brasil, 1955

“Números (e palavras): “porque não escrevê-los e para que explicá-los”, pergunta a si mesma Raquel Kogan num depoimento manuscrito. Temos aí, indicado pela própria artista, a segunda maneira de abordagem de seus trabalhos.

Seguindo esta segunda via, não se trata mais de decifrar os significados dos números e palavras e do encadeamento entre ambos, isto é, não se trata mais de encará-los em seu aspecto semântico, mas como ícones, imagens puras desprovidas de um significado apriorístico. A meta, agora, é analisar o modo como a artista, fazendo uso destes signos linguísticos e matemáticos, ou deste mundo larvar, subverte o espaço tradicional, renascentista, que sendo figurativo, pressupõe a idéia de profundidade, de um invólucro visual. Profundidade que para Merleau-Ponty é “a dimensão aprisionada por excelência”. O objetivo de Raquel Kogan, seria, então, libertar o grafismo de todo e qualquer constrangimento representativo, de fazer da superfície oreceptáculo de forças desprovidas de um eixo central sem limites ou fronteiras. Quase um delírio de signos.

No depoimento citado, Raquel fala em escrever números, o que pode ser lido também como escrever pintura, como proposta de uma escritura pictórica. O que permite aproximar suas gravuras e pinturas da démarche plástica de outros artistas que percorreram o mesmo caminho. Penso na “escrita-branca” de Mark Tobey, na “escrita-ciclone” de André Masson, nos drippings de Pollock. Vale dizer, vejo Raquel Kogan integrando-se a uma tradição que iniciada possivelmente com Klee e Miró, passa por Wols, Arshile Gorky, Michaux, Cy Towmbly até alcançar Opalka.É certo que seu grafismo e/ou letrismo não tem a radicalidade da pintura all over de Pollock nem a economia lírica de Towmbly e menos ainda a obsessividade de Opalka. Porém, as vertentes representadas por estes três artistas existem, virtualmente, nos trabalhos de Raquel Kogan.”

Frederico Morais, 1996


Exposição “Linha Atemporal”

Exposição “Linha Atemporal”


Exposição “Linha Atemporal” na Dan Galeria com texto curatorial de Paula Braga.


Mulheres à Frente

Mulheres à Frente


Nunca é tarde para estender homenagem às mulheres. No último dia de março de 2020, a Dan Galeria apresenta a coletiva Mulheres à Frente, reunindo artistas brasileiras de extrema relevância e participação na nossa história da arte.